Sem idade certa para começar, malhar na adolescência requer cuidados para se alcançar o “corpo perfeito”

Amplamente difundida entre os adolescentes, a malhação nessa época da vida precisa ser realizada com acompanhamento contínuo para se evitar lesões e atingir os objetivos esperados.

A adolescência traz geralmente muitos aborrecimentos e insatisfações. Por ser um período de transição para a vida adulta, uma das maiores queixas entre os que vivem essa fase é com o próprio corpo, às vezes magro e esguio, outras vezes muito acima do peso. Para ajustar mais rapidamente o corpo à fase adulta, muitos adolescentes iniciam-se na musculação, sem, contudo, contar com uma orientação mais específica. Afinal, qual a melhor idade para iniciar essa prática? “Não há restrições nem idade certa para começar a musculação”, explica a professora de educação física da Rio Sport, Ana Beatriz Maggi. Ela adverte, no entanto, que o treinamento precisa ser feito com cautela e orientado por um profissional, que irá monitorar a intensidade e a execução correta dos exercícios para evitar lesões.

Antes de iniciar o treinamento, é preciso passar por uma avaliação médica que irá aferir o nível correto de maturação de cada adolescente. “No entanto, essa avaliação pode ser dispensável, caso seja realizada a avaliação física na própria academia. Nesse caso, é necessário um cuidado maior para verificar o nível de desenvolvimento do aluno”, ressalta a professora. Ela explica que o processo de maturação física, óssea, muscular e hormonal não está totalmente desenvolvido até os 20 anos de idade, por isso é importante realizar a avaliação para aferir o nível correto de maturação. “A partir daí será possível determinar com precisão a intensidade e o volume do treinamento.

Ganhos

Os resultados para quem inicia a musculação são observados a médio e longo prazo, mas, segundo Ana, variam de acordo com as condições biológicas de cada pessoa. “Isso inclui também a carga genética, a composição corporal ou o biotipo de cada um”, ressalta. “Em função disso, não adianta abusar. O conjunto é o responsável pelo resultado”, adverte. Ela explica que, devido ao processo de maturação hormonal não estar completamente desenvolvido, o tão sonhado ganho de massa muscular pode ser pouco significativo. Os excessos prejudicam a fase de recuperação, que é onde o organismo repõe as reservas energéticas utilizadas e constrói a desejada massa muscular. Ana observa que o ideal é fazer de duas a três sessões de treinos por semana, com duração de 30 a 40 minutos, não ultrapassando uma hora. “E, acima de tudo, é preciso respeitar o descanso entre os treinos”.

Atividade aeróbica

Os exercícios aeróbicos são fundamentais para a obtenção da massa muscular. Ao contrário do que todo mundo pensa, a fase recuperatória – quando o organismo repõe a energia gasta e “cria” a massa muscular – é toda realizada por meio do metabolismo aeróbico. “Dessa forma, essa base bem praticada contribuirá diretamente na recuperação pós-treino”, explica. A intensidade e a freqüência semanal devem variar de acordo com o objetivo de cada aluno, mas, segundo a professora, a atividade aeróbica não deve ser esquecida. Além disso, uma dieta equilibrada, com a correta ingestão de carboidratos, proteínas e gorduras, é fundamental para obtenção de massa muscular e qualidade de vida. “Mas, para cada objetivo buscado pelos alunos, haverá uma dieta diferente, por isso, é importante o acompanhamento de um nutricionista”, observa.

Gordinho, não!

O estudante Luiz Felipe Nascentes Fernandes, 17, começou a malhar aos 14 anos, quando pesava 54 quilos. Exercitar-se já fazia parte de sua rotina, já que desde os oito anos praticava natação e, nos dois últimos anos, Jiu-jitsu. “No entanto, resolvi malhar porque estava gordinho, com barriga”, afirma. Os exercícios começaram moderados, para que o corpo se acostumasse à nova rotina de pesos. Hoje, com 20 quilos a mais – de massa magra, conforme ele ressalta – o estudante está feliz com seu corpo e a auto-estima está em alta. “Malho de cinco a seis vezes por semana, uma hora e meia por dia. Aos domingos, faço questão de correr”, ressalta. Para complementar todo o processo para obtenção de músculos, há sete meses ele vai ao nutricionista. “Como tudo normalmente, mas evito doces. Dou preferência aos pães integras e ainda faço uso de suplementos alimentares”. O importante, segundo ele, é não ter preguiça. “Para quem se achava gordinho, como eu, ter disposição para encarar os exercícios é fundamental. Mas, antes de tudo, é preciso seguir as orientações do professor para não fazer nada errado”, diz.

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