Por dentro da periodização
A variação no volume e na intensidade do treinamento, ou periodização, é importante para conseguir um aumento ideal na força. Grande parte da pesquisa inicial enfocou o conceito de que existe uma combinação ótima de séries e repetições que induzem aumentos de força. Essa combinação ótima provavelmente não existe; pelo contrário, as variações na resistência, no número de séries e no número de repetições estão associadas a maiores aumentos de força. O termo mais popular para a mudança nas variáveis dos programas agudos é PERIODIZAÇÃO. Periodização é a variação PLANEJADA nas variáveis dos programas agudos.
A síndrome de adaptação geral de Selye explica o conceito de periodização. Esta teoria propõe três fases de adaptação durante o estresse agudo (exercício de resistência): choque, adaptação e estafa.
O primeiro estágio, ou choque, ocorre após o início de um novo estímulo (exercício de resistência ou uma nova resistência), resultando no surgimento das síndromes de inadaptação (p. ex., dor) e em uma queda subseqüente no desempenho. A segunda fase, de adaptação, ocorre durante a exposição repetida ao estímulo do treinamento e resulta em um desempenho aprimorado. Na terceira fase, a adaptação já ocorreu e o mesmo estímulo não produz qualquer adaptação adicional. O desempenho pode alcançar um platô nessa fase e, para conseguir-se qualquer adaptação adicional, terá de ser imposta uma mudança no estímulo ou no repouso.
Os programas que não proporcionam uma variação e um repouso suficientes resultam em um platô clássico do treinamento ou talvez em uma redução no desempenho (supratreinamento). A periodização pode ajudar a evitar a estafa e/ou o supratreinamento por permitir um período adequado de repouso, de forma a manter o estímulo-resposta ao exercício. Assim sendo, a variação do estímulo do exercício constitui um fator importante para se conseguirem melhoras consistentes na capacidade de desempenho.
A forma clássica de periodização divide o programa de treinamento em períodos específicos. O período mais longo é o MACROCICLO, de aproximadamente um ano. O macrociclo pode ser dividido em MESOCICLOS, em geral de 3-4 meses cada. Um mesociclo pode ser dividido em um MICROCICLO de aproximadamente 2-6 semanas. Cada fase de treinamento possui um objetivo específico e constitui uma parte planejada do programa total.
Basicamente existem dois modelos de periodização, o CLÁSSICO e o modelo NÃO-LINEAR. O modelo clássico divide-se em várias fases, fase geral de pré-preparação, fase de preparação, fase de força, fase de potência, fase de transição. O modelo não-linear comporta maiores mudanças de resistência que o modelo clássico ou linear.
Variáveis do Programa
Vários fatores, denominados variáveis agudas do programa, afetam a configuração dos estímulos do exercício de resistência.
As variáveis agudas do programa descrevem todas as possíveis sessões únicas de treinamento e determinam a resposta fisiológica aguda ao exercício de resistência. Uma sessão de treinamento é elaborada através da manipulação de cada variável, sendo específica para o efeito combinado das variáveis agudas do programa.
Em 1983, Kraemer elaborou uma abordagem destinada a avaliar uma única sessão de trabalho utilizando cinco variáveis globais, enunciadas a seguir:
· Escolha do exercício
· Ordem (seqüência) dos exercícios
· Número de séries
· Períodos de repouso
· Intensidade da resistência
As sessões de exercícios devem ser elaboradas de forma a atender os objetivos do treinamento e a proporcionar variação no treinamento. Por serem possíveis tantas combinações, podem ser elaboradas uma ampla variedade de sessões. O reconhecimento da importância de cada variável aguda do programa é vital para uma boa compreensão dos fatores que afetam o estresse fisiológico agudo e, finalmente, as adaptações crônicas ao treinamento de resistência.
Fonte: ACSM (American College of Sports Medicine) 2003.
Contribuição do Personal Trainner Jefferson Porto
O conteúdo publicado nesta coluna é de total responsabilidade de seus autores (colunistas e leitores), e não corresponde necessariamente a opinião da Treino Total.

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2 comentários
Qual é o posicionamento oficial do ACSM para o treinamento de potência muscular
treinamento não linear