Gelatina  como  ingrediente  ou  pronta  para  ingestão?  A  resposta  certa  é  que  a  gelatina  pode  ser  sobremesa  e  também  suplemento  e/ou  complemento.  Ela  é  uma  proteína  colagênica  (do  colágeno),  obtida  de  peles  de  vários  animais,  como  os  bovinos  por  exemplo.  Costuma  ser  muito  utilizada  como  gelificante  na  indústria  alimentícia,  é  bastante  conhecida  como  sobremesa,  mas  também  pode  fazer  parte  da  alimentação  diária  de  diversas  outras  maneiras. 

Como  ingrediente,  uma  das  principais  funções  tecnológicas  da  gelatina  é  de  gelificação,  estando  presente  em  iogurtes,  mousses,  etc,  trazendo  melhora  na  textura  e  deixando  a  preparação  mais  apetitosa.  Como  sobremesa,  é  uma  alternativa  bastante  saudável,  já  que  é  leve  e  tem  bastante  água,  hidratando  o  corpo  e  também  trazendo  uma  sensação  de  saciedade.  Porém,  seu  uso  pode  ir  muito  além  dessas  opções. 
Um  tipo  especial  de  gelatina  é  chamado  de  colágeno  hidrolisado.  Ele  pode  ser  usado  de  vários  modos,  trazendo  ainda  alguns  benefícios  para  a  saúde.     
         
Segundo  a  nutricionista  Luciana  Setaro,  o  colágeno  é  uma  das  proteínas  mais  abundantes  em  vertebrados,  constituindo  boa  parte  do  total  de  proteínas  corporais,  em  organismo  adultos.  “Uma  de  suas  principais  funções  é  o  suporte  às  articulações”,  explica  a  nutricionista.

O  colágeno  hidrolisado  puro  é  encontrado  na  forma  de  pó  e  cápsulas,  além  de  já  existirem  versões  de  shakes  protéicos,  barras  de  proteína  e  produtos  para  esportistas  com  este  ingrediente.  Encontrado  em  lojas  de  produtos  naturais,  orgânicos  ou  farmácias  de  manipulação,  ele    pode  ser  consumido  misturado  a  sucos,  chás,  leite,  entre  outros  alimentos.  Em  sua  composição  há  cerca  de  90  a  95%  de  proteína,  1  a  2%  de  sais  minerais  e  até  5%  de  água,  sendo  isento  de  gordura,  colesterol  e  carboidratos.

Ele  pode  auxiliar  na  prevenção  e  tratamento  de  dores  articulares,  artrose  e  até  na  prevenção  de  lesões.  “A  cartilagem  articular  é  composta  por  células,  os  condrócitos,  e  por  um  conjunto  de  macromoléculas,  como  o  colágeno  e  as  proteoglicanas.  Estes  têm  função  de  “mola  biológica”  e  o  colágeno,  por  ser  uma  proteína  fibrilar,  garante  resistência  ao  tecido.  Os  dois  fazem  parte  da  estrutura  da  cartilagem  e  a  interação  entre  eles  garante  a  elasticidade,  essencial  para  amortecer  as  grandes  forças  de  impacto  a  que  as  articulações  estão  submetidas”,  define  Luciana.      
  
O  colágeno  hidrolisado  também  ajuda  na  preservação  da  densidade  óssea.  Durante  o  envelhecimento  há  uma  redução  na  taxa  da  síntese  de  colágeno,  as  fibras  tornam-se  frágeis,  a  rigidez  aumenta  e  a  força  tensora  muscular  diminui.  Estudos  realizados  nos  Estados  Unidos  mostram  que  a  ingestão  de  gelatina  na  forma  hidrolisada  aumenta  a  densidade  do  osso    e  auxilia  na  formação  da  matriz  óssea.  Assim,  seu  uso  regular  desde  cedo  funciona  como  prevenção  e  já  para  as  pessoas  idosas  e  aqueles  que  têm  tendência  à  deficiência  de  cálcio  e  fragilidade  óssea,    o  uso  do  colágeno  hidrolisado  auxilia  na  reposição  do  colágeno  do  organismo.

Além  de  todos  esses  benefícios,  também  é  possível  observar  melhorias  estéticas,  já  que  o  colágeno  pode  atuar  no  fortalecimento  de  cabelos  e  unhas,  e  na  promoção  da  hidratação  da  pele.

A  sobremesa  de  gelatina  em  caixinha  encontrada  nos  supermercados,  por  conter  o  ingrediente  obtido  de  colágeno  animal,  pode  atuar  como  um  reforço  durante  períodos  de  convalescência  e  como  sobremesa  ideal  para  quem  está  de  dieta.

A  nutricionista  Luciana  Setaro  lembra  que  a  gelatina  e  o  colágeno  hidrolisado  (ingrediente)  têm  nove  dos  dez  aminoácidos  essenciais,  e  apresentam  o  diferencial  de  estimular  a  produção  de  colágeno  nas  articulações;  porém,  não  possuem  o  triptofano  em  sua  composição,  aminoácido  importante  para  diversos  processos  metabólicos  e,  por  isso,    não  devem  ser  consumidos  como  única  fonte  de  proteína.  “A  gelatina  é  bastante  interessante  para  quem  procura  uma  alimentação  leve,  tem  digestibilidade  elevada  (em  torno  de  95%)  mas  precisa  fazer  parte  de  um  cardápio  com  outras  fontes  de  proteína,  como  carnes  e  ovos”,  afirma. 

Seu  uso  complementar  em  sucos  e  vitaminas  ainda  não  é  muito  comum  para  o  consumidor  em  geral,  mas  com  a  difusão  e  o  conhecimento  de  suas  propriedades,  os  hábitos  alimentares  podem  ir  se  aperfeiçoando  e  o  colágeno  hidrolisado  também  poderá  estar  no  dia-a-dia  dos  brasileiros  e  até  mesmo  enriquecendo  alguns  alimentos.

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