A recente divulgação de texto alertando para os riscos do exercício “leg press”, que teve grande repercussão em academias e clubes, precisa de esclarecimentos.
 
Lesões podem ocorrer em qualquer tipo de exercício. As lesões produzidas em aparelhos para musculação são muito menos freqüentes do que as mesmas lesões provocadas por lutas, jogos com bola, corrida, ginástica em geral, e muitas outras atividades esportivas ou de condicionamento físico. Nos aparelhos de musculação o corpo está adequadamente posicionado, as cargas são escolhidas de acordo com a capacidade individual, assim como as amplitudes do exercício. Os movimentos são lentos, sem acelerações ou desacelerações bruscas, não ocorrem torções, e não há risco de quedas ou de traumas diretos.

O “leg press” não é exceção a essas qualidades de segurança. Os profissionais da área de atividade física, especializados em treinamento resistido, fazem habitualmente e com facilidade, todas as adaptações necessárias para que o exercício de “leg press” seja seguro. Lesões em musculação geralmente ocorrem no treinamento não supervisionado, quando as condutas de segurança não são seguidas.

 O “leg press” é muito utilizado em todo o mundo para condicionamento físico e treinamento de atletas, mas também para fortalecimento de pessoas idosas, reabilitação ortopédica e fisioterapia em doenças reumatológicas. Na nossa experiência, não se observa uma alta incidência de lesões relacionadas com o uso do aparelho “leg press” em academias, além do que sua utilização terapêutica em clínicas e hospitais é muito freqüente. Por outro lado, desconhecemos trabalhos científicos, com boa metodologia, que tenham documentado os riscos citados no texto em questão.
 
Lamentamos que informações baseadas em impressões pessoais, não fundamentadas em evidências reconhecidas, tenham tido a repercussão que tiveram, e alertamos aos profissionais no sentido de que afirmações públicas desprovidas de documentação científica podem constituir falta ética passível de processos disciplinares nos seus conselhos de classe.

Profissionais que assinam este comunicado:

Prof. Dr. Arnaldo José Hernandez, médico ortopedista, Professor Associado da Faculdade de Medicina da USP, chefe do Grupo de Medicina do Esporte do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP, e Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

Prof. Dr. José Maria Santarem, médico fisiatra e reumatologista, coordenador do CECAFI – Centro de Estudos em Ciências da Atividade Física da Disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP.

Profa. Dra. Júlia Maria D’Andréa Greve, médica fisiatra, Professora-Associada da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Laboratório de Estudos do Movimento do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Prof. Dr. Júlio Cerca Serrão, educador físico, Professor Associado e Chefe do Laboratório de Biomecânica da Escola de Educação Física e Esportes da USP.

** Este comunicado foi gentilmente encaminhado pelo personal trainner e fisioterapeuta Carlos Tomaiolo.  Mini curriculum: Graduado em Fisioterapia – CREFITO 3 – 3827 ltf, Provisionado CREF 4 – 065636P/SP.Pós-graduado em Fisiologia do Exercício e Treinamento Resistido pelo Instituto Biodelta / CECAFI-FMUSP.- Coordenador Geral da Certificação de Qualidade em Treinamento Resistido o CMS – Centros de Musculação Supervisionada do Instituto Biodelta.- Membro do Corpo Docente da FEPAM – Federação Paulista de Musculação.- Membro do Corpo Docente da NABBA/BRASIL – National Amateur Bodybuilding Association/Brasil.- Membro do Corpo Docente do Curso de Pós-graduação do Instituto Biodelta / CECAFI-FMUSP.

Retweet this post