(*) Dr. Fabio Ravaglia

Muitos chegam a mim com a dúvida clássica sobre o que é melhor: caminhar ou andar na esteira. Por isso, faço aqui uma análise, abordando aspectos diversos sobre as duas modalidades. Particularmente, sou adepto da caminhada. Pratico e recomendo. Andar é uma maneira natural e simples de contribuir para manter a saúde. Mas, como a questão é pertinente, gostaria de trazer alguns parâmetros para as pessoas escolherem entre as duas atividades físicas.

Tanto a esteira quanto a caminhada são frequentemente procuradas pelos que querem perder peso. A pessoa acima do peso pode sobrecarregar os ossos e vir a ter problemas. Alguns números podem ajudar na hora de decidir qual atividade é melhor. Andar durante um minuto, em terreno plano, consome oito calorias; em uma subida, o consumo é de onze calorias. Saiba que para obter o mesmo gasto calórico na esteira é preciso um tanto mais de esforço. Explico porque: a esteira não está sujeita a intempéries, como chuva, sol, vento ou mesmo calor e frio, o que confere ao exercício físico uma certa adrenalina que contribui para a queima de calorias. O movimento na caminhada inclui o terreno acidentado, como ultrapassar buracos e passar por subidas e descidas, trajetos que exigem mais energia. Mesmo na esteira com inclinação, o gasto calórico é 1% menor se comparado ao da caminhada. De outro lado, a esteira leva vantagem em programas de condicionamento físico por permitir o uso de uma maior velocidade, aliada à segurança.

Veja as principais diferenças entre andar na esteira e caminhar:
1. A esteira é a opção quando se dispõe de um tempo mais restrito para a atividade física.
2. A preferência pela esteira muitas vezes se dá pelo conforto de ter comodidades ao lado, como água ou banheiro.
3. Algumas pessoas gostam mais porque podem praticar na esteira enquanto leem, assistem tevê ou ouvem música. Neste caso, lembre-se que sem a concentração, o exercício físico nem sempre é tão eficaz.
4. A esteira está constantemente disponível, seja de dia ou de noite, com chuva ou com sol, ventando ou não. Só necessita da sua disposição e desejo.
5. Tecnologias como a do medidor de gasto calórico acoplado costumam atrair as pessoas – porém, lembro que não são precisas o bastante.
6. Segurar no corrimão prejudica a boa postura. Evite o uso e procure manter a coluna na vertical e os braços livres, em movimento natural, como na caminhada.
7. A caminhada é mais vantajosa do ponto de vista do impulsionamento: na esteira, não se consegue realizar uma impulsão forte com o calcanhar.
8. Inclinação: as esteiras não inclinam para baixo. Este é um exercício favorável para trabalhar alguns grupos musculares e leva à maior queda dos níveis de glicemia. Na caminhada, basta descer ladeiras.
9. Na caminhada é possível fazer curvas e andar para o lado, exercitando outros grupos musculares. Na esteira, isto não é possível.
10. Uma grande vantagem da caminhada é que andar não agride as articulações, por ser uma atividade de pouco impacto com o solo.

Há na caminhada outro aspecto importante: a prática propicia o desenvolvimento do senso de equilíbrio e o fortalecimento da musculatura. As depressões do terreno, irregularidades, buracos e até as paradas e partidas conferem à caminhada mais estímulo aos mecanismos ligados ao equilíbrio do corpo e a boa parte da musculatura.

Quem já está avançado na prática da caminhada pode apertar o passo. Normalmente praticado em terreno plano, o cooper queima dez calorias por minuto. A modalidade é uma fase intermediária entre a caminhada e a corrida. Apesar de queimar mais gordura do que o andar, o cooper traz muito mais impacto para as articulações e força bem mais o coração. Então, é preciso ter cuidado e não é recomendável a todos.

Caminhar é um bom exercício para queimar gorduras e ganhar resistência. Mesmo não tendo contra-indicações, quem resolver adotar a caminhada como exercício físico frequente não pode esquecer de usar roupas leves e calçados adequados, para tirar o maior proveito possível da prática. Quem não pratica nenhuma atividade, independente de qual seja a opção, convém consultar um médico para fazer uma avaliação física antes de dar início.

De toda a maneira, o importante para a saúde é manter o corpo em movimento. Pratique sempre uma atividade física e atinja suas metas.

Fabio Ravaglia

O dr. Ravaglia é médico ortopedista graduado pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) com residência médica no Hospital do Servidor Público Estadual, especialização em coluna vertebral Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho (Santa Casa de Misericórdia de São Paulo) e mestre em cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Foi o primeiro brasileiro aceito pelo programa do Royal College of Surgeons of England, onde se especializou em ortopedia reumatológica (próteses e revisão de próteses articulares, artroscopia de várias articulações, tratamento de dor na coluna e traumatologia). Durante quatro anos atuou como cirurgião ortopédico em hospitais ligados à Universidade de Bristol, na Inglaterra, país reconhecido pelo pioneirismo no desenvolvimento de próteses e de técnicas de ortopedia reumatológica. Na Alemanha, dr. Ravaglia fez especialização nas mais avançadas técnicas para cirurgias de coluna minimamente invasivas, realizadas com um aparelho do tamanho de uma caneta e com anestesia local. A técnica é utilizada para cirurgias de hérnia de disco.

Em 1994, o ortopedista voltou ao Brasil e passou a atuar com um avançado tratamento cirúrgico para problemas das articulações — a artroscopia, técnica cirúrgica que minimiza as desvantagens da cirurgia e reduz as dores provocadas pela artrose, artrite, traumatologia e hérnia de disco. O médico é pioneiro em cirurgias de mínima invasão na coluna vertebral e foi o primeiro a realizar o processo de descompressão percutânea da coluna vertebral. Presidente do Instituto Ortopedia & Saúde, organização não-governamental que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção, o dr. Ravaglia é também membro do corpo clínico externo dos hospitais Albert Einstein, Oswaldo Cruz e Santa Catarina; diretor-presidente da Arthros Clínica Ortopédica e membro titular da Academia de Medicina de São Paulo (cadeira 118, patrono Ernesto de Souza Campos).

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