O preço a pagar no futuro é alto para quem ultrapassa cedo os limites do corpo na busca por ganho rápido de massa muscular

Na busca pelo rápido aumento da massa muscular, os adolescentes que frequentam as academias não conseguem enxergar os riscos quando começam a se aproximar do mundo dos anabolizantes. Quem decide partir para esse tortuoso caminho, pode encontrar com facilidade produtos sem procedência pela internet ou no comércio ilegal com origem no Paraguai. Em certos casos, o acesso a esses produtos é feito por meio de  amigos da academia, professores de musculação, frequentadores veteranos e pessoas ligadas a academias e ao meio esportivo.
 
Também conhecidos por “bomba”, os anabolizantes são substitutos sintéticos do hormônio masculino testosterona, fabricado pelos testículos,  injetáveis ou de via oral. Levam ao crescimento da musculatura e ao desenvolvimento das características sexuais masculinas. Na verdade, esse é um tipo de medicamento com finalidade clínica para repor a testosterona nos casos em que, por algum motivo de doença, tenha ocorrido um déficit. Porém, os jovens buscam cada vez mais o caminho rápido na conquista por força e músculos, iludidos com a falsa promessa dos anabolizantes.
 
A lista de efeitos colaterais é enorme quando o seu consumo é associado ao treinamento físico intenso – entre eles, hipotireoidismo, esterilidade, problemas hepáticos, ginecomastia (crescimentos dos peitos como se fossem de mulher), deficiência do bombeamento cardíaco, afetação da memória, aumento de colesterol LDL (colesterol ruim), alterações de comportamento (ex: acentua a agressividade), dependência e pode levar à morte. “Como é formado por moléculas bem completas, pesadas, o fígado precisa se esforçar muito para dar conta de processá-lo e pode ficar doente por isso. No adolescente, antes de completar seu desenvolvimento, o uso ainda pode levar o corpo a entender que já está adulto e os ossos param de crescer, causando baixa estatura e crescimento raquítico”, explica Euclésio Bragança, médico nutrólogo e presidente da ABENUTRI – Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais.
 
No Brasil, segundo informações da Polícia Federal, não existem estatísticas sobre contrabando de anabolizantes. Mas só em Foz do Iguaçu foram apreendidos 3.624 ampolas, cartelas e frascos dessas substâncias em 2007. O número aumentou 730% em relação a 2006, um crescimento 3,5 vezes superior ao da apreensão de medicamentos em geral.
 
O grande problema é que no mercado negro não existe nenhuma garantia de que a substância vendida corresponda ao rótulo. É aí que o consumidor corre risco, pois esses produtos contaminados podem conter substâncias mais perigosas que os anabolizantes e o resultado pode ser irreversível. “Se os jovens praticarem atividade física regularmente e adotarem suplementos alimentares, sob orientação médica, na composição de uma dieta variada e equilibrada, certamente não faltarão nutrientes em seu organismo e os objetivos, que nesta faixa etária são prioritariamente estéticos, serão alcançados de forma natural e saudável. Para isso, existem produtos nacionais e internacionais registrados no Ministério da Saúde, que não contém esteróides anabólicos”, afirma Bragança.

UNICAMP comprova idoneidade de suplementos alimentares registrados 

 

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