Hoje em dia, parte das garotas que estão nas academias e que praticam musculação preocupam-se excessivamente com o percentual de gordura corporal. Muitas delas se submetem a dietas super restritas e em alguns casos fazem uso de drogas como a oxandrolona, stanozolol, dentre outras, com o objetivo de reduzir este percentual de gordura e deixar a definição muscular ainda mais aparente. Dentre as inúmeras conseqüências está a amenorréia, que é a pausa da menstruação devido à deficiência de estrogênio, mas até qual ponto é saudável? Decidimos falar com a ginecologista  * Dra. Rosa Maria Neme para esclarecer tal questão.

TT- Existem riscos para a saúde, quando a gordura corporal esta baixa e a menstruação é suspensa?
Dra. O maior risco da ausência da menstruação é o desbalanço hormonal causado e que pode levar a alterações ósseas (com diminuição da massa óssea) e alterações no metabolismo da glicose e do colesterol.

TT- Por quanto tempo a amenorréia é aceitável?
Dra. Não há um prazo determinado, desde que a mulher esteja sendo submetida a exames de rotina com frequencia.

TT -Se a mulher recorre a anabolizantes, tem amenorréia e decide suspender a utilização, a partir de quanto tempo a menstruação volta ao normal?
Dra. Dependerá da dose utilizada. Em geral em até 3 meses (em doses baixas) a menstruação tende a regularizar.

TT – A mulher pode ficar estéril por conta de amenorréias freqüentes?
Dra. Pode haver uma dificuldade maior em ovular e em estimular o endométrio quando a amenorréia é mais prolongada.

TT -Existe alguma maneira das atletas se protegerem de possíveis conseqüências, fruto deste baixo percentual de gordura?
Dra. Somente não exagerarem na quantidade de exercícios praticados e não usarem medicações anabolizantes.

TT-  Qual é a taxa de gordura aceitável para que, além de um corpo bonito, a atleta garanta saúde?
Dra. O nível de gordura ideal para mulheres atletas é de cerca de 10%. 

*Sobre a Dra. Rosa Maria Neme (CRM-SP 87844) – ginecologista
 
A Dra. Rosa Maria Neme é graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1996) e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo (2004). Realizou residência-médica também na Universidade de São Paulo (2000). Além de dirigir o Centro de Endometriose São Paulo, ela integra a equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein, Samaritano, São Luiz e Sírio Libanês.

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