Se você foi num ortopedista e ele falou para você não fazer agachamento, leg press, que musculação impede o crescimento e que você deveria fazer hidroginástica, este texto é para você…

Muita gente fala que musculação acaba com os joelhos, não é mesmo? Mas o que é um joelho afinal, que deveria ter sido feito para se movimentar mas este mesmo movimento acaba por lesionando-o?

Primeiro: é uma articulação tipo gínglimo complexo, ou seja, é uma dobradiça que em seu eixo axial permite um grau mínimo de rotação.

Segundo: o movimento depende de estabilizadores, e nisso o joelho não peca: tem estabilizadores estáticos – ligamentos colaterais, ligamentos cruzados e meniscos – e estabilizadores dinâmicos (musculatura, com destaque para o vasto médio obliquo – VMO que os fisioterapeutas fortalecem tanto nas síndromes femuropatelares e que os educadores trabalham com carinho para que estas não aconteçam…)

Terceiro: o joelho é estabilizado por um equilíbrio delicado entre musculatura flexora e extensora que tende a favorecer esta última: além da massa muscular mais volumosa, este grupo ainda dispõe de uma patela, que age como uma alavanca multiplicadora de força, a custo estrutural de uma articulação a mais, a fêmuropatelar (ou patelofemural).

Quarto: por falar em articulações, a articulação do joelho tem três compartimentos principais: condilar lateral, condilar medial (onde ficam os meniscos) e o central (onde ficam os ligamentos cruzados e os ligamentos intermeniscais). Há ainda a articulação patelofemural. Por fim, o joelho ainda dispõe de recessos: espaços virtuais que podem se distender por acomodar corpos livres ou simplesmente líquido sinoval e são mais evidentes nos derrames articulares: recesso lateral (onde encontramos mais freqüentemente corpos livres quando estes existem), recesso medial e recesso proximal.

Como tomar cuidado com tudo isso:

1. Manter flexibilidade: a perda de flexibilidade, principalmente da musculatura isquiotibial é razão de lesões na parte posterior da coxa as custas de mecanismos onde a desaceleração é solicitada. Já viu por exemplo os futebolistas? Quando chutam com força e acabam por sentir dor na parte de trás da coxa? A perda de flexibilidade do quadríceps também é preocupante: o encurtamento deste músculo tende a trazer a patela a uma posição mais proximal, condição que radiograficamente fazemos o diagnóstico por índices obtidos através de aferições e chamamos de patela alta. Essa condição pode vir a levar a um quadro de dor patelofemural que os ortopedistas chamam de síndrome da hiperpressão patelofemural ou apenas síndrome femuropatelar. Outros nomes são conhecidos também como a síndrome da dor anterior do joelho e outros ainda vão mais além, dando diagnósticos histopatológicos/anatômicos a partir dos sintomas, como condromalácia. Se pensarmos que a condromalácia é de fato uma conseqüência da síndrome da hiperpressão femuropatelar, não estamos tão enganados assim, mas ainda assim, sou da corrente que defende que chamar uma síndrome femuropatelar de condromalácia é como chamar qualquer dor de cabeça de enxaqueca ou qualquer dor de barriga de gastrite… entende a diferença?

2. Manter o equilíbrio da musculatura: lembre-se, é normal termos a musculatura anterior da coxa mais forte que a musculatura posterior, mas existem números: em indivíduos esportistas podemos variar entre 50 a 70% a força dos posteriores de coxa em relação aos anteriores de coxa. Em futebolistas esta relação pode aparecer tendendo a um aumento devido a necessidade da especificidade esportiva… portanto TREINE POSTERIOR DE COXA!

3. Cuidado com os esportes em que acontecem mudanças bruscas de sentido de corrida ou em que haja chutes: estes são os favoritos para lesarmos não só meniscos, mas ligamentos cruzados.

Bom, acho que nessa oportunidade falamos bastante, não acha? Você tem um tempo para digerir tudo isso e se tiver dúvidas, é só entrar em contato…

Abraço forte e muita performance! (com muita saúde, sempre…)

Paulo Muzy é Medico, Ortopedista e Traumatologista, especialista em Vídeoartroscopia e traumatologia Esportiva, fisiologia do exercício, biomecânica aplicada ao exercício e treinamento desportivo.
Leia mais ou entre em contato pelo blog  no endereço http://superperformance.blogspot.com

Retweet this post