Meu nome é Érico Caperuto, sou professor de educação física da Universidade Presbiteriana Mackenzie e consultor técnico da ABENUTRI (Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Produtos Nutricionais).

Essa é minha coluna, mas quem vai me ajudar a escrevê-la são vocês! Vamos fazer desse espaço um grande fórum de discussões. Eu posto os textos e vocês retornam dizendo se gostaram ou não. Aqui a sua opinião é o que importa!

Os assuntos serão os mais variados: de suplementos alimentares, a performance do Bolt, no último mundial. De assuntos educacionais a assuntos filosóficos, como os porquês e os porquê nãos da atividade física.

Este meu primeiro artigo na TREINOTOTAL é uma carta com reflexões a respeito dos suplementos que usamos em nosso dia- a- dia. Vamos refletir sobre os suplementos nacionais, os importados: o que realmente funciona,  o que funciona até demais. Pensaremos nisso de uma maneira didática.

Pergunta 1 – Por que eu vou a uma loja de suplementos e parte dos produtos têm registro na ANVISA e outros não?
R.  A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é o órgão que controla os suplementos no Brasil. Para isso, ela usa uma portaria obsoleta (velha, antiquada) de número 222, do ano de 1998. Pois  é, nesses 11 anos, muita, mas muita coisa mudou, não é mesmo?

Pergunta 2 – Se é assim, devo preferir os importados, preferencialmente os sem registro?
R. Veja, ao mesmo tempo que  a limitação da ANVISA nos impede de ter acesso a novidades, nos preserva. Se você entrar em uma loja que só  tenha produtos registrados (isso é praticamente impossível), você fatalmente (independente da quantidade e variedade de potes, cores, marcas) vai cair em uma das 4 categorias previstas na portaria: basicamente isotônicos, energéticos (alimentos a base -90%- de carboidratos), protéicos (alimentos a base – 90%- de proteínas) e compensadores (alimentos compostos de carboidratos, proteínas e gorduras). Portanto, meu amigo, se você comprar um produto com registro, você pode comprar um produto ruim em termos de sabor, mas estará comprando um produto seguro! Infelizmente, essa é a única vantagem do “controle” da ANVISA.

Pergunta 3 – Então os produtos nacionais não são bons ou não funcionam?
R. Não, não entenda desta forma. Eles funcionam sim! Nós brasileiros somos criativos e  conseguimos ter idéias funcionais e ao mesmo tempo simples, que cabem nos registros da ANVISA. Entretanto, não podemos deixar de admitir que os produtos importados gozam de mais liberdade em suas formulações e portanto, podem oferecer mais elementos funcionais em seus produtos.

Pergunta 4 – Ah, Então você também só usa os importados?
R. Espere! Deixa eu explicar direito…..
Os suplementos alimentares devem ser consumidos de forma consciente, ou seja, prescritos por um nutricionista (nada contra o professor de educação física indicar, mas o encaixe na dieta, ou seja, a prescrição mesmo, é obrigação legal do nutricionista). Não existe substituto para dieta e treino, nem varinha mágica, ampolinha disso,  bolinha daquilo. Nada! Diferente de uma suplementação adequada que, com certeza, pode ajudar a compor uma dieta ideal.
Portanto, quando quero uma whey de boa qualidade e com baixo carbo, uso whey com caseína micelar que você pode encontrar dos laboratórios nacionais: ao mesmo tempo, quando preciso de um produto trifásico (que no mesmo suplemento estão previstos os momentos, pré, durante e pós treino),  peço a algum amigo pra trazer um produto importado desta categoria, preferencialmente com beta alanina,  justamente pelo fato de ainda não serem encontrados no Brasil. Entendeu??

Pergunta 5 – Não. Afinal, o que define se você usa um produto nacional ou importado é o que é permitido  ou não no Brasil?

R. Não. O que define qual produto uso são as minhas necessidades nutricionais.
É claro, que assim como todos os praticantes de atividades físicas, eu sempre busco as novidades, mas a chave do sucesso está na informação!

Pergunta 6 – Como assim? Informação nutricional?
R. Não. As informações nutricionais estão nos rótulos. Por outro lado, os produtos (importados) estão cada vez mais cheios de ervas, plantas e novos blends (mistura de compostos)  ficando meio difícil saber o que é o quê e, principalmente, o que funciona e o que pode fazer mal.
Por isso, é  importante o contato com um bom nutricionista (ou pelo menos um bem curioso), um professor de educação física e até  mesmo um médico.

Lembre-se, usamos suplementos para melhorar o rendimento, para ajudar na busca pela saúde, pela boa forma,  não pra piorar, nem pra fazer mágica ou para compensar a falta de disciplina, má alimentação ou a falta de descanso.

Pergunta 7 – Ah sei.Você tá falando dos estimulantes.
R. Isso. Tem muita gente achando que estimulante (Lipo6, Hidroxicut, Thermo Fire, Ripp Abs) é “bala tic tac”. Não é assim! Treinamento é estímulo (do bom, do forte) e recuperação.Isso quer dizer, descanso, sono.
Se você  trabalha demais, corre pra cima e pra baixo e tem pouco tempo pra treinar, os suplementos têm que jogar a seu favor, MRPS (Meal Replacement Powders – pós que podem substituir refeições), antioxidantes, vitaminas, a glutamina, entre outros são suplementos que, quando encaixados em sua dieta, podem, ao menos te dar um aporte nutricional adequado. Você não treina o quanto gostaria, mas gordo hoje em dia só fica quem quer!
Além disso, os estimulantes podem proporcionar aquele gás extra.  Entretanto, você pretende tomar estimulantes para sempre? Dificilmente. Portanto, o melhor a fazer é equlibrar a rotina de treinos e descanso e quando precisar de um estímulo extra, tome um café, pó de guaraná, ou seja, aquilo que conhecemos e temos em mente os efeitos, quer sejam bons ou ruins.

Pergunta 8 – Legal! Afinal, como eu devo lidar com essa coisa de nacional = seguro, mas obsoleto e importado = eficiente, mas nem sempre seguro e muitas vezes ilegal?
R. Vou te falar como faço e veja se é válido para você.
1- Defina suas metas;
2- Monte uma dieta (óbvio, no nutricionista) e um programa de treino;
3- Identifique e analise os suplementos que podem ajudá-lo no processo (nacionais geralmente ok, importados sempre com o máximo de informação possível a respeito).

De qualquer maneira, ficam algumas ressalvas:

  • Não compre (nem use) gato por lebre, seja cético (não acredite em tudo o que você vê na propaganda);
  • Lembre-se que mandará o suplemento pra dentro do seu corpo;
  • Se o suplemento que você quer usar não está a venda no Brasil, você está usando por sua conta e risco.Portanto, a responsabilidade sobre o consumo é totalmente sua (melhor dividir com o nutricionista, que geralmente tem mais informação, não é mesmo?).

Também não podemos deixar a “miopia” da ANVISA nos enviar para a idade da pedra em relação à nutrição esportiva.

Fica aqui a moral da história: com informação, não tem problema não!

Campanha pelo uso consciente dos suplementos alimentares, seja você também um consumidor bem informado!

Abraços….
Prof. dr. Érico Caperuto

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