Por Célio Ramos e Gabriel Azevedo

Pudemos acompanhar neste ano (2009) a superação de um campeão. Após uma grave lesão muscular do tríceps braquial de Branch Warren em 2008, o “Quadrassaurus”, assim conhecido pelo tamanho de suas pernas, superou sua lesão, e confirmou não só sua presença no Mr. Olympia, como destacou-se com um resultado que surpreendeu seus concorrentes, pois somente o fabuloso Jay Cuttler foi capaz de superá-lo. Desta vez, Branch fez valer seus melhores atributos, mostrando um volume muscular imenso, agregando a isto uma espetacular definição, e sua já tradicional vascularização.

Fonte:Bodybuilding.com,2009.

Fonte:Bodybuilding.com,2009.

Mas o fato que chamou mais atenção foi a forma como Jay, Branch, Kay Green, apresentaram-se com tais características físicas, o que nos faz entender que volta à tona velhos conceitos avaliativos nesta competição que é referência mundial para todas as demais. Tais conceitos, originados na era dos Freaks (Monstros é a tradução) valoriza muito o volume e a definição máximos, e a busca por tais resultados urge a necessidade de treinamento e nutrição levados ao extremo, e é aí que entra o diferencial no estabelecimento das diretrizes para o treinamento destas Feras, ou melhor, destes novos Freaks.

O termo Freak foi originado devido aos padrões físicos apresentados por Dorian Yates (alguém desconhece este cara?) um ex-fisiculturista britânico, que brilhou nos anos 90 nos palcos do Mr. Olympia, onde se destacou com volume e definição brutais, tornando-se nova referência de avaliação, e forçando dessa forma, o avanço do esporte a um novo nível. Por ter sido adepto do método Heavy Duty, criado por Mike Mentzer, Dorian representa bem a filosofia de treinamento dos Freaks da atualidade.

Pra deixar mais claro, o que Dorian Yates promovia em seus treinos, através do sistema de treinamento Heavy Duty, era uma verdadeira “chacina muscular” porque o seu maior objetivo sempre foi levar seus músculos ao esgotamento total. Mas como estamos nos anos 2000, atualizemos nossa referência, afinal de contas, com o passar dos anos, o Fisiculturismo prova que a evolução parte do repaginamento do que já existe de melhor, e todos estes espetaculares atletas da atualidade são o que são, graças ao que as estrelas do passado realizaram. Não obstante a este fato, o caso do nosso Quadrassaurus é semelhante, porque ele é adepto do Treinamento Hardcore, e portanto, leva seu corpo ao extremo. O exemplo que daremos para ilustrar esta filosofia de treinamento é a rotina de Pernas de Branch Warren, já que é um destaque deste atleta.

Observamos a atenção dada à aplicação de alguns princípios de treinamento básicos para qualquer atleta, destacando-se um método clássico: o da Prioridade Muscular, já que num trabalho de pernas completo, deu-se início com o trabalho com exercícios compostos (multiarticulares), visando o trabalho integral das musculaturas, e justificando a necessidade e a vantagem mecânica do uso de tais exercícios para a aplicação de cargas extremamente pesadas, e com poucas repetições e séries (lembrem: TREINAMENTO HARDCORE, onde o método HIT prevalece sempre com muitíssima intensidade, e pouquíssimo volume), e onde apenas o envolvimento integral da massa muscular da perna o possibilita, e particularmente no início do treinamento, onde as reservas energéticas são ótimas.

Vejamos, então, a rotina de treinamento de pernas utilizada por Warren, na preparação para o Mr. Olimpia 2009, num período Off Season (ganho de massa):

Fonte:www.flexonline.com, 2009.

Fonte:www.flexonline.com, 2009.

QUADRICEPS = COXAS

Agachamento[Squats]:  2-3 series de aquecimento;
Agachamento[Squats]:  2 x 8 repetições Muito Pesado;
Leg Press [Leg Presses] 3 x 20 repetições;
Extensão Perna [Leg Extensions]3 x 30 repetições.

BICEPS FEMORAL = BICEPS DA PERNA

Avanços Andando [Walking Lunges]: 3 x 100 jardas;
Rosca Perna em pé [Lying Leg Curls]: 5 x 12-15 repetições;
Rosca perna Sentado [Seated Leg Curls]: 3 x 12-15 repetições;

Seguindo com nossa análise, vemos que o princípio do Sinergismo Muscular norteia a aplicação seqüenciada de exercícios uniarticulares, onde, curiosamente para muitos, vemos a aplicação de um grande número de repetições, ou seja, um volume alto. Bom, vamos lá: na verdade, o que temos após algumas séries Super-pesadas, é um estado muscular super desgastado mecanicamente (stress mecânico), porém, ainda não completamente desgastado energeticamente (stress fisiológico), fora a questão do princípio fisiológico neuromuscular da somação, onde o envolvimento muscular ocorre gradualmente, e as fibras musculares mais “profundas” são atingidas apenas em condições de desgaste extremo. É importante mencionar que o termo desgaste não compreende-se de forma descontextualizada, e quando tais atletas encontram-se em fase de ganho de massa muscular – Off Season – , como é o caso, o fundamental é fazer exatamente o que Warren faz, esgotar os músculos no mínimo de tempo possível.

Fechando nossa análise, gostaria de colocar que Warren não modifica em praticamente nada sua rotina de treinamento. As modificações que ele promove são sempre mais direcionadas a aplicação de métodos avançados de treinamento para a estimulação máxima de sua musculatura. Não esqueçam que o maior erro do atleta é ser incoerente com seus objetivos, e para isso, boa informação, organização, bom senso e disciplina são fundamentais.

Abraço e até a próxima!

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